Poesia flutua por ai
Ali, na cabeça do sábio
Nos gritos do louco
Na boca do povo
Anda com a donzela
Desabrocha na flor
No sono infantil
Na rebeldia do vento
No balanço do bêbedo
No sermão do pastor
No luto dos vivos
No fruto da terra
Poesia sagrada, me enche a alma
Poesia malvada, me tira a calma
Despeja do céu, entra nas entranhas da terra
Rega o inferno de sua dor
Quisera te difamar, e nunca mais de ti falar
Apaga-la de uma vez
Pois quando penso em teu desprezo
Me dói continuar
Depois que te escrevo, me deixas só
Vivo a sonhar de mãos atada as tuas mãos
Caminhamos tanto.Pra onde vamos?
Porque me levas a ficção?
Quando eu for contigo me deixes lá
No solo dos poetas
No paraíso inconsciente, onde podemos nos tocar
Onde os poetas são a canção
Como terminarei esse poema
Se minha aventura é estar plantado aqui
Quem são os poetas?
Talvez sejam como a poesia só flutuam aqui
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