sábado, 17 de julho de 2010

Trapaças da vida

Trapaças da vida

A vida não passa
Apenas arma trapaças
Sempre na morte raspa
E da vida tira lasca

O mesmo pão, o mesmo rito
No jornal o mesmo grito
E quando é noite
O mesmo açoite

Vida estranha
O frio nas entranhas
Que pra viver se faz barganha
E dói quanto te arranha

A vida não tem umbigo
Não tem sentido
Só faz barganha, só te arranha, tem açoites
No mesmo rito,só tira lasca, só faz trapaças

2 comentários:

Jaime Guedes disse...

Eu não gostaria de comentar seu poema. Aliás, poema não se comenta, ele está aí, simplesmente. Eu gostaria de fazer umas perguntas sobre a apresentação que você faz do blog e de si.

Apresentação do blog: "Este blog é o espelho da alma onde a poesia reflete a real imagem do meu self [...]"

Duas perguntas: 1) Por que a poesia iria apresentar uma imagem mais perfeita do seu "self" do que qualquer outro meio (por exemplo, a convivência diária com você) ? 2) Não acha que falar em "self" já não é falar demais? Eu posso substituir o "self", essa substância obscura e privada, por mero behavior, claro e público. Mas encarar-se como um conjunto de behaviors é meio sem graça, né?

Apresentação sua: "Escolhi ser sincero, não ir contra a minha consciência, contra a verdade, contra o amor..."

Gostaria de saber a relação disso tudo. Sinceridade não exclui falsidade (pode excluir a mentira, mas não está em questão); se levarmos sério tudo o que aprendemos com Freud, Nietzsche e Marx, consciência pouco tem a ver com verdade, e amor parece entrar aí "de gaiato". Pode ser que, apreendendo a verdade da condição humana (se é que há tal coisa!), alguém justamente se encha de tal misantropia que o amor sumirá.

Não quero simplesmente alfinetar. Acho que são coisas importantes.

J.MACHADO disse...

Jaime! Acho que vc já respondeu por mim.O self é obscuro como o sentido da própria poesia, "ela é obscura".
Por isso é o meu mundo que criei aqui, sem graça ou com muito sentido, vai depender de como faço significar esse meu self se relacionando com a ficção que se faz na poesia. E a poesia é sempre uma mentira, uma mentira carregada de verdades.
Por isso escolhi ser sincero ir contra aquilo que meu self se relaciona como verdade.
O resto é ficção mera coincidência com o real...

E prefiro apenas pensar que estou certo, ainda que saiba que talvez não esteja.

Obrigado por alfinetar...