segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Tem alguém ali

Tem alguém ali
Mas ninguém viu o torto
Caído feito morto
Espatifou ali

Tinha alguém lá
Latiu vermelho
Ninguém viu
Nem quem sangrou lá

Não tinha ninguém ali
Nem mesmo lá
Era um bêbado
Era um cão

Solidão da morte
Do que não morreu
Do que morreu
Sem cofre, sem cortejo, sem flores

Ali, lá, por todo mundo
Tem um bêbado, tem um cão
Que são os mesmo
Pensados no mesmo padrão

*Poesia baseado no tombo de um bêbado que levantei, e no outro dia retirei um cachorro morto do meio do asfalto enquanto todos apenas desviavam em sua correria.

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