domingo, 27 de julho de 2014

Imagine o amor


Nasce na imaginação
Caminha acompanhada pelo jardim
Mãos firmes com a ficção
A estação é sempre primavera
Tem flores e ar fresco
Não aceita a solidão
Devoto e atávico
Egoísta
Buscava o que lhe falta ainda
Acabou a fome - por hoje -
Foi apenas culpa
Do, eu, nela...

sábado, 15 de junho de 2013

Em versos, o drama do dependente químico



Vicio constante, pode ser
Inalante, e mais forte que o antes
Na altura do mundo, subo e já venho
Fico surdo, é o barulho do bagulho
E vem o embrulho! No carreiro da onda
A alma se assombra, preciso falar
É frio, é tudo louco, o chão é liso
Aquece a brasa, sufoca na lata
Derrete a pasta, vou junto na cera
Falo besteira, quero mais um pra remédio
Cura, mata, vou pro inferno, mas volto
Solto... me vou, tão livre e sozinho, volto
Arrependido, fedido, esquisito
Vou lá na real, falar deste mal
Explode a centelha, ela não me quer mais
Faço promessas ninguém acredita
E vida me explica, meu conto de Cripta
Grito puto, ao pai deste mundo: Seu Vagabundo!
Rasgando o peito, apontando defeitos
Tô eleito! Só penso em um jeito
De voltar essa fita, apertar ou play
E ter tudo de novo.

Pós-modernidade



Era manhã
Quando acordo ainda puro
Hoje eu queria desejar algo novo
E, olhei com meu desejo velho
Vi fantasmas pelas ruas, acelerados com objetos nas mão
Desejei seus objetos pela expansão de seu domínio
Estavam felizes, mas os via mortos, e, essa atmosfera de embriaguez me seduziu
É um barulho que sinto falta é fome que quero ter
Pensei em modernidade, ou uma dessas drogas novas que bebemos nosrefrigerantes
Não queria admitir, mas preciso
Estou louco, toda minha geração está louca, alucino a luz do dia vejo fantasmas que tocam a matéria e alimentam-se de coisas, não olham nos olhos, tem-se medo do outro, uma esquizoide paranoide, onde o boderline é caso normal
Max tinha razão: “Tudo que é sólido se desmancha no ar”
E, eu só queria dormir ainda puro!
Há! E pra dormir! Eles precisam de ansiolítico
E no desjejum um inibidores selectivos da recaptação da serotonina
Queria mais um tempo, só pra ir ali na esquina
Só pra ter certeza que não é, a era glacial 21
Porque amanhã de amanhã mudarei e quem sabe também serei
Um fantasma pelas ruas. E alguém me dirá sem olhar nos olhos
Bem vindo a pós-modernidade.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Eternidade



A fé me absorve e
Me contento no vazio que tenho
Sobre isso não sei falar.
Completa minha finitude
Do previsto só sei imaginar
O acaso só transpassa-me a alma, sem sangrar
E sem sentido obvio vou, seguro sobre o abismo
Sempre com pressa quero mais fé.
Quero poder! Poder do saber. Eu sei! Todos querem.
Arfante vou apagando os vestígios
Dos artefatos empoeirados, são fatos eu os desprezei
A fé me possui e não sei ter razão
Me apego ao vazio que contem o tudo
Que me deixa vazio, que me vira do avesso
Que me entorpece, me deixa vivo mais um dia
E no fluxo, no refluxo
No céu, no inferno
Construo, destruo
Eu caio, eu morro
Vivo pra sempre
Fé que me empurra ao útero
E os portais se abrirão
Celebrarei na eternidade

sexta-feira, 9 de novembro de 2012



Martelo na lata

Estralo na lata
A pupila dilata
Prende, solta
E a cabeça da voltas
O sentido bagunça
E não volta
Flutua e para!
Há gigantes na sala
A comédia termina
Era tudo engraçado.
Coragem.
Tec, tec, tec.
Frio, amargo, vazio
Sem fumaça.
Desgraça!
Mais uma, mais martelo na lata
Já não dilata.
Só frio, amargo, vazio

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Só queria escrever


Só queria escrever
Livre e solto
E assim queria viver
Não tropeçar nas conjugações
Nem deixar o verbo ser dono da vida
Da vida do verso
Só queria escrever sem pensar em rima
Pois na vida nada se combina
Deixar de acentuar aquilo que não faz diferença
Não dá pra levar a sério o que escreve de nossa história
Queria saber inventar mais palavras, o vocabulário da vida é mais rico
Só queria escrever tudo com caneta, e pensar que não existe corretivo
Saber que o sujeito não é mais importante que o objeto
Dar mais tônica as vogais e fazer das consoantes apenas acompanhantes do verbo amar
Só quero escrever sem ter que ser no pretérito imperfeito
Pra não dizer que devia ter amado mais
Só queria escrever sem hiatos, e fazer das relações momentos compostos
Queria apenas escrever, não para ser escritor, mas apenas ser um verso, parte da poesia de alguém...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Era um...



Era um canto de alegria
No vão da melancolia
Sórdido no malogro da fantasia
Repete o ciclo abaixo do céu
Espanto que espalha o medo
Apegado ao tolo segredo
Mortais e suas vestes
Apreçados em esconder
Corpos em chamas
Que revela a nudez
Dúbio, um íncubus
Na pacata couraça
Tolo
Santo
Morto
Que esbarra
Arranha
E vai por ai
Ostenta a fedorenta do ser
Horrível, sem tampa
Cruenta inventa
Frequenta uma vida
Verme na ferida
Talvez se cure
No espelho, no ralo
Na autopsia calma
No cofre do orgulho
No resto do embrulho
Você que fazia barulho

Desapego

Desapego não tem segredo, só tem medo.
Apaixonados sempre acham que vão morrer depois que o grande amor se vai
Transferem sua vida no outro, suas expectativas sobre a vida só continua se for com objeto amado.
Difícil é explicar aos apaixonados que tudo vai passar. Pintam a tela do medo, medo de perder o que nunca foi seu.
Talvez assim se explique porque a paixão é egoísta, é desejo de posse, é satisfazer a si mesmo e não o outro.
È fácil desapegar-se...
Basta lembrar a você mesmo que ninguém é de ninguém, que não há controle sobre o comportamento encoberto no seu objeto de desejo
Se quer de fato nunca sofrer com desapegos, nunca ame.
Como essa aspiração não termina nunca, e sempre haverá um estimulo discriminativo para os nossos desejos.
Aprenda a apegar-se e desapegar-se sempre

Infeliz


Com toda verdade solta por ai
Fica fácil não falar mal do feliz
É assim o turvo mentiroso e infeliz
Costura sua história
As custas da aventura
Do pródigo feliz

domingo, 26 de agosto de 2012

Pretérito imperfeito


E se, eu tivesse vivido a vida com mais vida
E se, eu tivesse feito aquilo que sempre sonhei
E se, eu tivesse amado sem medo
E se, eu tivesse acordado mais cedo
E se, eu tivesse abraçado meus inimigos
E se, eu tivesse lido mais livros
E se, eu tivesse tido mais fé
E se, eu tivesse caminhado mais a pé
E se, eu tivesse cantado desafinado
E se, eu tivesse sido um príncipe encantado
E se, eu tivesse o meu dinheiro gastado
E se, eu tivesse chorado
E se, eu tivesse brigado menos
E se, eu tivesse se importado menos
E se, eu tivesse aplaudido o louco
E se, eu tivesse sido mais louco
E se, eu tivesse virado a mesa
E se, eu tivesse comido mais sobremesas
E se, eu tivesse escolhido certo
E se, eu tivesse chegado perto
E se, eu tivesse dormido olhando as estrelas
E se, eu tivesse ficado com os amigos falando besteira
E se, eu tivesse uma bola de cristal
E se, eu tivesse com saber o final
E se, eu tivesse mais tempo
E se, eu tivesse como voltar no tempo
E se, eu tivesse que te dizer adeus
E se, eu tivesse amado você mais que eu
E se, eu tivesse plantado flores
E se, eu tivesse escolhido os valores
E se, eu tivesse sido refém
E se, eu tivesse dito amém
Ao pretérito imperfeito que a vida tem

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O vicio da poesia


Preciso de uma poesia
Li Saramago, James Joyce e desisti
Quero dormir, como vicio de fim do dia
Quero poesia
Na penumbra dos olhos, mãos lentas esperam as letras
Ouço o respirar de todos na casa, menos o meu
Cansados, pesados, abro e fecho os olhos
Barulhos chatos das noites urbanas
Tenho fome, e só lembro de bananas na cozinha
Eu aqui na cama querendo uma poesia
Parece projeção. Tem alguém na poesia?
Não. Acho que não
Bocejo o sono me consome
E, eu aqui de graça, fazendo graça pra poesia
Menina levada nunca sei te dizer coisas bravas
Será que deito?
A bexiga! Apertou!
Acho que vou! Tem uma mulher do meu lado apagada a horas
Ela nem dá bola pra você poesia, ela é prática trabalha com os recém nascidos
Tem salário, cumpre horário e ri pouco
E eu obstinado pela literatura, inútil e psicólogo
Tão fútil que nem sei pra que serve tudo que faço
Já ouvi ela bradar: Eu não quero saber o quanto tu sabe, quero quanto tu ganha
Ela tá certa. Tem dois chorões que não vive de poesia e de aventuras na clinica, querem pão
Poesia você me é malvada!
Me fez pensar nessa coisa
Chamada responsabilidade
Vou dormir brigado, e não me lembra mais disso
Preciso ir, prometo voltar, eu sempre volto
Se não volto morres de saudades, na verdade não vives sem mim
Então seja boazinha, que amanhã de manhazinha eu continuo você...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Suicídio





A navalha e o vinho na taça


Sobre a mesa corteja o tempo


Olhar profundo no fim do mundo


Peregrino, moribundo, garrafa no fundo


É agora! Navalha na mão


Imprecatória oração, com o rosto no chão


Poeira molhada, água salgada


O corte vermelha o verme no chão


Curto, frio, distante


Pálido, fosco, sem gosto


Balança, se firma, tomba


Soluça, chora, morre.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Chuva



E a chuva promete cair 

Estronda sem rumo e caiu fora do prumo
Cai quando quer desrespeita o rei, ela faz sua lei
Estradas molhadas, atoledos, ela nem liga
Cai no telhado, lava sem dó

E a chuva continua caindo...

Molha causada, espalha a moçada
Braveja o velho, reclama a mulher
Muda rotina, faz com quem quiser
As crianças entendem e pisam na poça

E a chuva deixa vestígio...

Sem guarda chuva, o melhor é correr
Chuva calma e serena, vão chamar enjoada
O poeta adora, cantarola olhando a vidraça
Logo a fumaça do fogão a queimar

E a chuva continua molhar...

Sai pra fora ela não devora
Saúda essa fera, sinta seu ar
Chame-a de donzela e beije sua mão
Respeite essa dama, ela sabe o que quer

E a chuva vai continuar, e não há o que fazer...

O Paciente


Morri dez vezes e morrei mais uma, é preciso
Alucinação
O velho do saco existe ele me matou uma vez
Alucinação

Fui raptado por alienígenas, eles existem
Alucinação
Esse lugar está cheio de anjos
Alucinação

Eu sai do meu corpo
Alucinação
Eu já falei com Deus
Alucinação

Hoje não tomei meu remédio
Sem alucinação
Ficou sem graça, tudo tão real
Sem alucinação

sábado, 7 de julho de 2012

Homenagem aos sábios

Aplaudi a melancolia
Dê lugar a fantasia
Se esconda na ficção
No abstrato da sua idéia

É repulsas
Abstração do real
Quanta força neste atrito
Quando a verdade dava gritos

Neste mundo de pés descalços
Eles voltaram pra ir a diante
Se despiram pra se vestir
Sentiram vergonha das velhas roupas

Flua pensamento meu
Tão seu, tão nosso
Dos que pensaram, dos que sonharam
Dos que nunca souberam se estavam dormindo ou acordado

A eles eu devo um livro
A eles imploro a pena
Seus discursos me despertam
Seus discursos me fazem dormir

quinta-feira, 14 de junho de 2012


 Sonhar

 Queria não pensar sobre o tempo
 O tempo que passa que cresce a massa
 Mas como fumaça a vida passa
 E, não há nada que eu faça
 Queria acordar deste sonho
 Ou sonhar este sonho
 Mas tinha que ser um que eu componho
 E, como uma música que eu fiz
 Queria cantar de mim
 O tempo todo em um jardim
 Mas queria que fosse assim verdade
 E, durar mais que um sonho
 Que sempre vou lembrar
 Inventarei o que não lembrar
 Sem medo de me enganar
 Não entendo o tempo que faz o sonho continuar.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Eu faço eu

Olho no espelho. Me reconheço. Sou eu de fato. Obra do meu braço. Chega de culpas. Na lupa sou eu quem fiz. Se, contradiz, é tinta não é giz. Não apaga o ato. Histórias do meu relato. Trago grudado no meu tato. Esculpido do meu braço. Na lapide do barro fraco. Bati com força. Doeu pra mim. Confirmo este objeto. Ele é fruto do meu afeto. Do meu martelo. Que esculpiu o feto. E, estou aqui. Na construção do imcompleto.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Prisão da virtualidade

Navegando na mente
Estranho mar
Aprisiona o presente e você nem sente
Oh quântica louca, do espaço e do tempo

São os grilhões da virtualidade
Como achar o caminho de volta
Da volta não solta
E Logo preso de volta

Apenas lazer
Proibido prazer
Que desvanece ainda hoje
Prendem, sufocam nem notam

Iludidos, perdidos
Que tentação!
Suspiros, gemidos sem razão
Um escravo da noite
Sob os açoites da mentira do mal

Tudo virtual, fora do real
Um chat, uma sala de loucos
Não dormem, não vivem
Maquinas e mão, se acariciam
Numa doce ilusão

E você com cara de otário
Maria vai com as outra
Um atrás do outro
Parece um rosário

Com o mouse na mão
Na maior solidão
Olhe pro farol
Salve a sua embarcação

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Jardim

Um Éden guardado por Serafins
Embotado de flores, secreto, discreto
Suspensos sobre os muros da Babilônia
Passeia por ai, sem teto

O sol se apressa todas as manhãs pra te ver
Briga com a chuva para te ter
A sombra se atrapalha
E de noite se embaralha

A lua pergunta quem é
Pois equilibra até a maré
É um jardim
Responde a terra

Quimeras!
Espanta as feras
La vem ela
Pare o mundo! Ela vai passar

Perfume no ar
È primavera
Em seus passos de donzela
Fez o poeta cantar

Delicada as pétalas
Como a vida é
Quando turva o tempo
Como lágrimas chuva é

Óh Jardim que não tenho
Que te vejo, e cortejo
E o desejo é nobre
Encobre a solidão

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Logo encontrarei

Vivo a sonhar
Acordo quando durmo
Você não está lá
Durante o dia é sonhar

Te procuro no ar
No vento que talvez tocou seu rosto
E veio em mim se esbarar
E continuo a sonhar

Teu cheiro veio
Me fez tropeçar
Acorda, acorda
Foi só o vento

Sopra vento
Me leva lá
Sopra nela
Leva o meu amor no ar

Leva meu cheiro
Meu beijo
Faz ela sonhar
Faz ela me procurar no ar