Desapego não tem segredo, só tem medo.
Apaixonados sempre acham que vão morrer depois que o grande amor se vai
Transferem sua vida no outro, suas expectativas sobre a vida só continua se for com objeto amado.
Difícil é explicar aos apaixonados que tudo vai passar. Pintam a tela do medo, medo de perder o que nunca foi seu.
Talvez assim se explique porque a paixão é egoísta, é desejo de posse, é satisfazer a si mesmo e não o outro.
È fácil desapegar-se...
Basta lembrar a você mesmo que ninguém é de ninguém, que não há controle sobre o comportamento encoberto no seu objeto de desejo
Se quer de fato nunca sofrer com desapegos, nunca ame.
Como essa aspiração não termina nunca, e sempre haverá um estimulo discriminativo para os nossos desejos.
Aprenda a apegar-se e desapegar-se sempre
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Infeliz
Com toda verdade solta por ai
Fica fácil não falar mal do feliz
É assim o turvo mentiroso e infeliz
Costura sua história
As custas da aventura
Do pródigo feliz
domingo, 26 de agosto de 2012
Pretérito imperfeito
E se, eu tivesse vivido a vida com mais vida
E se, eu tivesse feito aquilo que sempre sonhei
E se, eu tivesse amado sem medo
E se, eu tivesse acordado mais cedo
E se, eu tivesse abraçado meus inimigos
E se, eu tivesse lido mais livros
E se, eu tivesse tido mais fé
E se, eu tivesse caminhado mais a pé
E se, eu tivesse cantado desafinado
E se, eu tivesse sido um príncipe encantado
E se, eu tivesse o meu dinheiro gastado
E se, eu tivesse chorado
E se, eu tivesse brigado menos
E se, eu tivesse se importado menos
E se, eu tivesse aplaudido o louco
E se, eu tivesse sido mais louco
E se, eu tivesse virado a mesa
E se, eu tivesse comido mais sobremesas
E se, eu tivesse escolhido certo
E se, eu tivesse chegado perto
E se, eu tivesse dormido olhando as estrelas
E se, eu tivesse ficado com os amigos falando besteira
E se, eu tivesse uma bola de cristal
E se, eu tivesse com saber o final
E se, eu tivesse mais tempo
E se, eu tivesse como voltar no tempo
E se, eu tivesse que te dizer adeus
E se, eu tivesse amado você mais que eu
E se, eu tivesse plantado flores
E se, eu tivesse escolhido os valores
E se, eu tivesse sido refém
E se, eu tivesse dito amém
Ao pretérito imperfeito que a vida tem
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
O vicio da poesia
Preciso de uma poesia
Li Saramago, James Joyce e desisti
Quero dormir, como vicio de fim do dia
Quero poesia
Na penumbra dos olhos, mãos lentas esperam as letras
Ouço o respirar de todos na casa, menos o meu
Cansados, pesados, abro e fecho os olhos
Barulhos chatos das noites urbanas
Tenho fome, e só lembro de bananas na cozinha
Eu aqui na cama querendo uma poesia
Parece projeção. Tem alguém na poesia?
Não. Acho que não
Bocejo o sono me consome
E, eu aqui de graça, fazendo graça pra poesia
Menina levada nunca sei te dizer coisas bravas
Será que deito?
A bexiga! Apertou!
Acho que vou! Tem uma mulher do meu lado apagada a horas
Ela nem dá bola pra você poesia, ela é prática trabalha com os recém nascidos
Tem salário, cumpre horário e ri pouco
E eu obstinado pela literatura, inútil e psicólogo
Tão fútil que nem sei pra que serve tudo que faço
Já ouvi ela bradar: Eu não quero saber o quanto tu sabe, quero quanto tu ganha
Ela tá certa. Tem dois chorões que não vive de poesia e de aventuras na clinica, querem pão
Poesia você me é malvada!
Me fez pensar nessa coisa
Chamada responsabilidade
Vou dormir brigado, e não me lembra mais disso
Preciso ir, prometo voltar, eu sempre volto
Se não volto morres de saudades, na verdade não vives sem mim
Então seja boazinha, que amanhã de manhazinha eu continuo você...
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Suicídio
A navalha e o vinho na taça
Sobre a mesa corteja o tempo
Olhar profundo no fim do mundo
Peregrino, moribundo, garrafa no fundo
É agora! Navalha na mão
Imprecatória oração, com o rosto no chão
Poeira molhada, água salgada
O corte vermelha o verme no chão
Curto, frio, distante
Pálido, fosco, sem gosto
Balança, se firma, tomba
Soluça, chora, morre.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Chuva
E a chuva promete cair
Estronda sem rumo e caiu fora do prumo
Cai quando quer desrespeita o rei, ela faz sua lei
Estradas molhadas, atoledos, ela nem liga
Cai no telhado, lava sem dó
E a chuva continua caindo...
Molha causada, espalha a moçada
Braveja o velho, reclama a mulher
Muda rotina, faz com quem quiser
As crianças entendem e pisam na poça
E a chuva continua caindo...
Molha causada, espalha a moçada
Braveja o velho, reclama a mulher
Muda rotina, faz com quem quiser
As crianças entendem e pisam na poça
E a chuva deixa vestígio...
Sem guarda chuva, o melhor é correr
Chuva calma e serena, vão chamar enjoada
O poeta adora, cantarola olhando a vidraça
Logo a fumaça do fogão a queimar
E a chuva continua molhar...
Sai pra fora ela não devora
Saúda essa fera, sinta seu ar
Chame-a de donzela e beije sua mão
Respeite essa dama, ela sabe o que quer
E a chuva vai continuar, e não há o que fazer...
Chame-a de donzela e beije sua mão
Respeite essa dama, ela sabe o que quer
E a chuva vai continuar, e não há o que fazer...
O Paciente
Alucinação
O velho do saco existe ele me matou uma vez
Alucinação
Fui raptado por alienígenas, eles existem
Alucinação
Esse lugar está cheio de anjos
Alucinação
Eu sai do meu corpo
Alucinação
Eu já falei com Deus
Alucinação
Hoje não tomei meu remédio
Sem alucinação
Ficou sem graça, tudo tão real
Sem alucinação
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